Ésquilo de gravata
Montagem alemã de “Os Persas” coloca o teatro político em cena
Dois homens, um muro. Os três convivem bem até que os homens passam a disputar o bloco de pedra. Surpresa: o muro começa a perseguir os homens, girando em torno de seu eixo, pondo os oponentes a fugir do que ambicionavam. Essa é a primeira cena de Os Persas, peça de Ésquilo em montagem marcadamente contemporânea, dirigida pelo alemão Dimiter Gotscheff, em cartaz hoje e amanhã no Theatro São Pedro (ingressos já esgotados).A peça é também uma representação cênica brilhante da disputa que opôs gregos e persas há quase 2,5 mil anos. Ésquilo, o primeiro grande autor trágico, escreveu o texto pouco depois da vitória helênica na batalha de Salamis (480 a.C.), mas teve sensibilidade para flagrar o destino dos grandes impérios: disputam territórios, povos e mercados, erguem muros (em campos de concentração na Polônia, nas ruas de Berlim, na área verde de Bagdá). Até vencem inimigos, mas acabam vítimas de sua própria ambição, correndo em círculos, fugindo do que desejavam.
Confira cenas da peça “Os Persas”
O Em Cena deste ano oferecerá outras montagens que questionam temas políticos e sociais. Hoje mesmo, no Teatro do CIEE (confira na página 6), Imperador e Galileu, estrelado por Caco Ciocler, vai discutir a intolerância religiosa nos tempos do imperador romano Juliano (século 4 d.C.). O grupo gaúcho Ói Nóis aqui Traveis estréia no domingo o espetáculo de rua O Amargo Santo da Purificação, inspirado na vida e morte do revolucionário Carlos Marighella (1911 – 1969). Na sexta, entra em cartaz Determinadas Pessoas: Weigel, monólogo estrelado por Esther Góes que relembra a trajetória da companheira de Bertolt Brecht.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
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